2006

 

ÍNDIA, RIO GRANDE DO SUL E MINAS GERAIS

II Mostra Internacional Audiovisual de Ouro Preto
II Seminário Internacional Audiovisual de Ouro Preto
Central de Imagens

Rio de Janeiro || 01 a 12 de novembro
Ouro Preto || 14 a 19 de novembroCatalogo 2006

Uma das  muitas histórias  sobre o nosso  descobrimento narra que  os primeiros habitantes do Brasil foram batizados de índios por que os portugueses, ao aportarem aqui, acreditavam ter chegado à Índia. Independente da veracidade dessa história podemos dizer que a Índia e os indianos fazem parte do nosso imaginário desde o início da nossa colonização. E é no espaço do imaginário, da recriação do mundo através dos experimentos audiovisuais, que os recebemos no Imagem dos Povos 2006.

A Índia com a sua multiplicidade étnica e um passado de referências culturais longínquas,  ao se apresentar como maior produtor e consumidor de audiovisual do planeta, é emblemática da característica agregadora do espetáculo cinematográfico. Seja nas praças das cidades do interior, seja nos modernos complexos de exibição, a família indiana reúne-se cotidianamente para fruir junta a recriação das suas referências míticas, as fábulas e seus dramas projetados na tela.

Com os indianos recebemos também os gaúchos, que a partir de um  mergulho na cultura do Rio Grande do Sul impuseram um fato novo na criação e difusão do audiovisual no Brasil, rompendo a hegemonia da região sudeste na produção de imagens no nosso país, conquistando em primeiro lugar o seu público próximo para depois ganhar novas platéias.

Assim como eles, tradicionalmente independentes, também os indianos começam a se tornar conhecidos fora dos seus lugares de origem através e pelos seus produtos audiovisuais. Para isso muito tem contribuído a popularização dos novos procedimentos tecnológicos. E nós, de Minas Gerais,  apresentamos as nossas mais recentes produções que também combinam o olhar sobre nós mesmos e experimentos tecnológicos.

O diálogo entre os conceitos de arte e tecnologia atravessa os tempos alternando períodos de proximidade e antagonismo. Muitas vezes a arte simboliza o espiritual do homem, e por conseguinte o oculto e imponderável em contraposição ao ponto exato da performance tecnológica. Outras vezes é a arte que vem apresentar ou mesmo comprovar os postulados da técnica. A complexidade das sociedades modernas tornou mais aguda tanto essa alternância quanto o atrito entre esses conceitos protagonistas da cultura contemporânea mundial.

O universo da criação audiovisual é um espaço privilegiado deste embate. Principalmente depois do advento do cinema, é nele que são experimentados os limites entre as possibilidades da criação e a manipulação de ferramentas em busca da recriação do mundo natural no espaço virtual. Esse fascínio pela recriação do visível em todas as suas dimensões encontrou nas formas atuais de captação, edição e veiculação de imagens e sons um terreno aparentemente ilimitado de criação, combinando sofisticados complexos tecnológicos com procedimentos cada vez mais simplificados.

Que sejam bem-vindos os povos das imagens.

Adyr Assumpção e Tâmara Braga Ribeiro

Idealização e Realização